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Força no filho e lembranças: dois anos depois, viúva de Danilo tenta amenizar a dor da saudade

"Todos os dias são difíceis, mas quando vai chegando novembro, a gente já fica esperando", conta Letícia Padilha, viúva do goleiro morto na tragédia da Chape. Filho Lorenzo ajuda a segurar a saudade

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A dor da saudade ainda é grande para Letícia Padilha, viúva do goleiro Danilo. Dois anos após a tragédia que vitimou o jogador e mais 70 pessoas no acidente com o avião da Chapecoense, ela relata, em entrevista ao GloboEsporte.com, que todos os dias têm sido difíceis, mas o 29 de novembro marca ainda mais a lembrança do que aconteceu. Algo que ainda é difícil até mesmo de acreditar.

– Todos os dias são difíceis, mas quando vai chegando o mês de novembro, a gente já fica esperando o dia 28, o dia 29, aquela semana toda. Passa um filme na cabeça. Foi algo surreal o que eu e outras famílias vivemos. Parece mentira, parece que ele está viajando, parece que tudo aquilo que vivi e passei não é verdadeiro. Só que a dor existe, ela está ali todos os dias. Aos poucos a gente vai aprendendo a viver, a acordar todos os dias com ela. Eu não esqueço nenhum segundo dele – contou Letícia.

– Desde a hora que eu acordo até dormir, o primeiro pensamento e o último sempre são do Danilo. A saudade ainda está bem dolorida. Dói muito. A forma que foi, como foi. Ainda dói muito – completou.

Letícia coloca em Lorenzo uma das luvas usadas por Danilo — Foto: Rodrigo Saviani

Letícia coloca em Lorenzo uma das luvas usadas por Danilo — Foto: Rodrigo Saviani

A principal força para Letícia superar a dor da ausência de Danilo está no filho Lorenzo, de quatro anos de idade. Para ela, o filho é o companheiro do dia a dia e a ajuda a manter viva a memória do marido.

– O Lorenzo sempre foi tudo pra gente. Agora mais do que nunca é minha fortaleza, minha alegria, minha força para dar continuidade na história do Danilo. É meu tudo. Deus deu um presente tão lindo para nós dois. Deus deixou o Lorenzo como forma de me apegar a ele e ver que tenho que ser forte.

Letícia destaca que Lorenzo tem muitas semelhanças com o pai. Desde a parte física e o penteado que gosta de usar até outras características de Danilo, que sempre se destacou por ser brincalhão e comunicativo. Além disso, o garoto não esconde o gosto em jogar futebol.

– Ele fala que vai ser igual o papai dele. Além de se parecer fisicamente com ele, é parecido em tudo com o Danilo. Ele é bem comunicativo, cumprimenta todo mundo, brinca com todo mundo. O Danilo, no pouco tempo que esteve com o Lorenzo, sempre foi um pai presente. As brincadeiras dele com o Lorenzo eram de jogar futebol, de ser goleiro – disse.

Lorenzo segura a bola: brincadeira preferida do pequeno filho de Danilo — Foto: Rodrigo Saviani

Lorenzo segura a bola: brincadeira preferida do pequeno filho de Danilo — Foto: Rodrigo Saviani

Memória guardada por todo o lar

No apartamento onde mora, em Arapongas, no norte do Paraná, Letícia colocou várias lembranças de Danilo. Um dos quartos tem vários objetivos do goleiro, entre elas a medalha de campeão da Copa Sul-Americana, o poster do título catarinense de 2016 pela Chape, além de várias camisas, algumas que o próprio jogador guardava e outras que ela ganhou depois do acidente.

– Desde quando aconteceu tudo, eu sempre tive na minha mente que eu queria deixar a memória dele viva. Sempre vai ter fotos dele na minha casa para o Lorenzo nunca esquecer. Aos poucos fui arrumando um lugar para cada coisa.

Últimas camisas usadas por Danilo: contra o San Lorenzo (verde) e contra o Palmeiras (vermelha) — Foto: Rodrigo Saviani

Últimas camisas usadas por Danilo: contra o San Lorenzo (verde) e contra o Palmeiras (vermelha) — Foto: Rodrigo Saviani

A sala tem fotos do casal com o pequeno Lorenzo e também duas camisas especiais: uma da partida contra o San Lorenzo, no jogo de volta da semifinal da Sul-Americana, quando Danilo fez no último minuto a defesa que garantiu a classificação para a final (relembre abaixo); e a utilizada na última partida, contra o Palmeiras, pelo Campeonato Brasileiro – essa com um gesto especial do atacante Dudu.

– Essas camisas (na sala) são as mais especiais. Uma, a vermelha, é a do último jogo com o Palmeiras, que ele trocou com o Dudu, porque eu sou palmeirense. Era uma forma do Danilo me presentear, mas a camiseta (do Palmeiras) não chegou. O Dudu fez um gesto bem bonito, não comentei na época, as pessoas poderiam achar que ele estava querendo aparecer, mas ele nunca quis isso. Ele me devolveu a camisa do Danilo. A outra, verde, é a que o Danilo jogou contra o San Lorenzo, da defesa que classificou para a final da Sul-Americana – contou Letícia.

Reveja a narração de Deva Pascovicci da defesa de Danilo, da Chapecoense

Reveja a narração de Deva Pascovicci da defesa de Danilo, da Chapecoense.

Com o filho, Letícia costuma ver vídeos de Danilo atuando. Uma forma de amenizar a saudade e também de manter viva a imagem do pai para Lorenzo.

– Todos os dias eu fico olhando. É uma lembrança. Sempre tem alguém postando alguma coisa, uma homenagem ao Danilo. Às vezes ele me vê olhando, quer ver também, eu deixo ele ver. Ele fica paradinho olhando, às vezes volta o vídeo várias vezes para ficar vendo.

Lembranças do goleiro Danilo estão no apartamento onde Letícia mora, em Arapongas — Foto: Rodrigo Saviani

Lembranças do goleiro Danilo estão no apartamento onde Letícia mora, em Arapongas.

Foto: Rodrigo Saviani/Globoesporte

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