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Um novo mundo para explorar: foi essa oportunidade que o Café às Cegas trouxe aos participantes com experiências sensoriais

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O Café às Cegas oportunizou uma nova maneira de entender a rotina de pessoas cegas e com baixa visão como forma de gerar a inclusão por meio da empatia. O evento foi promovido pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), pelo Núcleo Intersetorial em Defesa da Inclusão (NIDI) e pela Associação Catarinense para a Integração do Cego (ACIC) de Florianópolis
Quarenta pessoas sem problemas de visão ou com pequenas deficiências visuais vivenciaram uma experiência diferente na tarde desta segunda-feira, na sede da Associação Catarinense para Integração do Cego (ACIC), em Florianópolis. O evento ¿Café às Cegas¿ promoveu a inclusão ao possibilitar que o público experimentasse a rotina de pessoas cegas ou com deficiência visual no desempenho de atividades cotidianas básicas. O evento foi organizado pelo Núcleo Intersetorial em Defesa da Inclusão (NIDI), com a coordenação da 30ª Promotoria de Justiça da Capital e em parceria com a ACIC.

“A oportunidade realmente foi indescritível, marcante e extraordinária. Acredito que impactou e vai impactar na vida de cada uma das pessoas que aqui participaram. Uma experiência sensorial de inclusão e reconhecimento da deficiência, mas não da sua incapacidade para a realização de atividades do dia a dia”, avaliou o Promotor de Justiça Daniel Paladino, da 30ª PJ da Capital, que coordena o NIDI.

O intuito do evento foi promover a inclusão por meio de uma experiência da comunidade em geral com pessoas com deficiência visual e baixa visão. Na oportunidade, os participantes tiveram uma oficina de orientação e mobilidade com dicas e técnicas de locomoção guiadas por tutores da ACIC com baixa visão.

Para participar da dinâmica, os inscritos tiveram os olhos vendados e foram guiados por um trajeto pré-estabelecido pelos tutores. O ambiente planejado pela organização do evento possibilitou novas vivências e sensações aos participantes, além de facilitar a compreensão da importância da inclusão e os desafios encontrados pelas pessoas cegas e de baixa visão no cotidiano.

“Nós temos cinco sentidos e a visão é apenas um deles, então, tirando a visão, as pessoas acabam utilizando muito mais os outros sentidos. Esse mito de que quem não enxerga ouve melhor ou tem tato melhor realmente é apenas um mito. As pessoas hoje, na atividade, perceberam através do passeio guiado que elas acabaram utilizando muito mais outros sentidos: para saber se elas estão em ambientes abertos ou fechados, se está calor, frio, se o sol está batendo ou se tem sombra… Esse é o intuito de colocar a venda nas pessoas”, explica uma das guias, Maristela Bianchi, Gerente Técnica da ACIC.

Além disso, houve o “Café da Tarde às Cegas”. Com os olhos vendados, os participantes degustaram quitutes e bebidas com o objetivo de aguçar e explorar os demais sentidos, como olfato, paladar, tato e audição, se conectando mais com as vivências e rotinas de atividades simples do dia a dia das pessoas cegas.

O jornalista Thiago Toscani relata a sua sensação no evento. “Foi uma das experiências mais marcantes que tive na minha carreira enquanto repórter. Acho que, a partir do momento em que você compreende o universo do outro e se coloca no lugar do outro, você passa a ter uma percepção completamente diferente daquilo que você até então imaginava. Acredito que é válido se colocar no lugar do outro e compreender as dificuldades que essas pessoas passam diariamente. Só experimentei alguns minutos aqui. Você imagina como é isso a vida toda, então foi muito legal e tocante”, emocionou-se o jornalista.

O panificador Geraldo de Souza Garcia também participou do evento e se comoveu ao falar desta experiência única. “Um evento muito importante em dois momentos: o primeiro foi que sou cego 100% do olho direito e tenho baixíssima visão no olho esquerdo. Isso quer dizer um pequeno vulto, mas não imaginava quanta diferença faz esse pequeno vulto, porque, quando eu fui vendado, me senti fragilizado e ao mesmo tempo acolhido”, contou.

Garcia enfatizou, ainda, que, por “estar tendo essa experiência com pessoas que têm a empatia de te perguntar o que você deseja, isso me trouxe uma sensação muito boa, porque a gente sabe que a população em geral não tem essa educação de como acolher uma pessoa que é diferente. Aqui eu me senti acolhido. Foi uma sensação prazerosa, como se eu estivesse num mundo que eu não enxergo, porém, acolhido”, resumiu.

O Promotor de Justiça Daniel Paladino destacou o sucesso da experiência e já anunciou que o evento passará a fazer parte do calendário anual das atividades de inclusão e de conscientização do NIDI.

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