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A riqueza de Chapecó está nas pessoas

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No dia 28 de fevereiro de 2022, completo 70 anos em Santa Catarina. Quando cheguei aqui, aos oito anos vindo de Antônio Prado, RS, estava iniciando a construção da nova Igreja Matriz em Chapecó, já que a de madeira havia sido queimada. Lembro bem que na Avenida Getúlio Vargas, havia três ou quatro quadras de calçamento e poucas casas em alvenaria. A antiga prefeitura era o prédio mais bonito, principal obra da época. Chapecó era jovem e nem os mais otimistas poderiam vislumbrar a dimensão que a cidade teria 70 anos mais tarde.
O progresso da região estava baseado no extrativismo de madeira. Anos depois foram fundadas as primeiras agroindústrias e a agricultura também se desenvolveu, abrindo oportunidades para outras atividades como metalmecânica, comércio e serviços. O ponto mais forte do crescimento de Chapecó, na época e ainda hoje, está na agricultura e nas agroindústrias. Sem esses setores, a cidade não atingiria o desempenho que alcançou até aqui.
À medida que a cidade ganha em desenvolvimento e se torna uma das mais modernas do país, surgem desafios e um deles é a mobilidade. Esse fator merece estudos sérios e amplos para que não se torne um caos nos próximos anos. O poder público municipal, estadual e federal, precisam oferecer a infraestrutura necessária para que, Chapecó e toda a região oeste catarinense, sudoeste do paraná e noroeste do Rio Grande do Sul, consigam escoar a produção de grãos, carnes e derivados.
Precisamos olhar profundamente para as ferrovias – que não as temos -; as rodovias devem ter transformação total. Ainda são necessárias melhorias no aeroporto. Se isso não ocorrer, no futuro vamos vivenciar situações preocupantes em mobilidade. Quanto mais a cidade cresce, mais problemas surgem. Os gestores públicos precisam ficar atentos para que o centro de Chapecó não se torne modelo e as periferias, bolsões de desempregados.
O que é bom hoje, amanhã já não é. Portanto, é preciso acompanhar atentamente as oportunidades e oferecer aos empresários a estrutura suficiente para que possam continuar empreendendo. Se Chapecó tiver gestores que acompanham a evolução tecnológica, os negócios e as oportunidades, o município continuará crescendo. Talvez daqui 100 anos, teremos mais de um milhão de habitantes.
São poucas as cidades, não só no Brasil, que possuem um crescimento tão fantástico como Chapecó. Um município só se desenvolve com um povo que acompanha a evolução e trabalha. Por isso, Chapecó cresce. O meu recado para os jovens é que fiquem atentos, porque nada cai do céu. As coisas só acontecem se as pessoas fizerem acontecer.
Chapecó se tornou um polo regional; é um exemplo de cidade e, se hoje, é um município moderno, de um porte razoavelmente grande, se deve muito à gente que fomentou tudo isso. Um povo trabalhador e visionário, que percebeu na capital do oeste um potencial para crescer e, crescer com Chapecó.

Parabéns Chapecó pelos 104 anos, festejados nessa quarta-feira, 25 de agosto.

Romeo Bet, presidente da Cooperalfa e secretário do Conselho de Administração da Aurora Alimentos