Casal de Chapecó faz cerimônia de casamento sustentável e surpreende

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Um casal de Chapecó, decidiu aderir ao movimento “Lixo Zero” na festa de casamento. A sustentabilidade foi desde o lenço de lágrimas, feito com papel semente, até o cardápio e as juras de amor, impressos em papel reciclado. E as lembranças foram canudos reutilizáveis.
A ideia foi da noiva, Vanusa Maggioni, que é coordenadora do programa Lixo Zero no município. O projeto busca incentivar o consumo consciente, com a sociedade produzindo menos lixo, reaproveitando mais os resíduos e reduzindo a quantidade de rejeitos levados para os aterros sanitários.
Vanusa e Jankiel namoraram por 15 anos. E nos últimos dois, começaram a planejar o dia da cerimônia. “Eu sempre tive vontade de casar. Sempre conversávamos, eu e o Jankiel, sobre esse dia”, diz a noiva.
“Eu falei: ‘ó, a gente vai ter que fazer um casamento Lixo Zero. A gente vai ter que fazer o bem pras pessoas que estão ali, pro meio que a gente vive’”, lembra Vanusa.
O futuro marido não tinha certeza se iria dar certo, mas Vanusa o convenceu. “E ele falou: ‘nossa, Vanu, mas será que a gente consegue?’ Eu disse que tinha certeza que sim”, recorda a mulher.

Lembranças de casamento em Chapecó eram canudos reutilizáveis. — Foto: Reprodução/NSC TV
E os dois conseguiram. Na festa, feita em 15 de junho, havia até uma central de resíduos. Uma caixa pra cada um dos recicláveis e um espaço para o orgânico. E no dia seguinte ao casamento, Vanusa foi ao local para conferir a separação.
“A única coisa visível no casamento, que realmente a gente pode dizer que era rejeito, era nosso adesivo da pista. E nós pedimos então que a empresa nos mandasse um recibo que foi pro local certo”, explica Vanusa.
O lixo orgânico foi para a casa da avó Anita Cella. Aos 81 anos, ela diz nunca ter visto um casamento Lixo Zero. De quebra, ainda aprendeu algo novo. “Quando sobra os restos de comida, até então eu tinha as minhas galinhas e o resto ia pra lá. Eu achei excelente porque agora tudo que tem de resto de comida vai ser ali e amanhã ou depois eu vou ter uma linda horta”, conta Anita.
As tampinhas foram destinadas a um projeto que cuida de cães e gatos. O restante do material reciclável foi para a associação de catadores. No fim, menos de 10% do lixo produzido no casamento foi para o aterro sanitário.
O resultado rendeu um prêmio do Instituto Lixo Zero Brasil e até um livro, feito pela própria noiva, em papel reciclado, para inspirar outras histórias de amor.
“É bom saber que você ama de várias formas. Além do amor que existe entre o casal, a gente teve amor e cuidado pelas pessoas que estavam no casamento e por todas que não estavam, inclusive”, declara a noiva.
Fonte: G1/SC