De mecânico para as passarelas: modelo natural de Xanxerê faz sucesso na Itália

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O xanxerense Vinícius Piccoli, que hoje está trabalhando como modelo em países como Itália, Alemanha entre outros, há nove anos trabalhava como mecânico de máquinas agrícolas na oficina do seu pai, não pensava em seguir carreira no mundo da moda, até que por influência da sua mãe que o escreveu na seletiva em sua cidade sem Vinicius saber (coração materno não se engana).
Ele saiu de Xanxerê de carona no caminhão do tio e demorou uma semana para chegar ao Rio de Janeiro, e após muito esforço, estreou nas passarelas no Fashion Rio, desfilando para TNG, Redley e R. Groove. A partir daí, conquistou o mundo através das passarelas e campanhas internacionais.
Em entrevista a coluna Della Rosa, o modelo contou que nasceu na cidade de Xanxerê, mas cresceu e viveu boa parte da sua vida em Abelardo Luz com sua família, onde foi mecânico, trabalhou também em churrascaria e pizzaria.
– Hoje, após viajar por muito tempo e morar em dez países diferentes, com culturas e idiomas completamente diferentes da nossa e do que estamos acostumados, posso dizer pra todas as pessoas para acreditarem sempre nelas e em seus sonhos e objetivos. Eu sai de uma cidade pequena de carona no caminhão do meu tio com dinheiro que outras pessoas me deram para poder chegar ao Rio de Janeiro, em 2009. Por isso, estejam sempre prontos para quando a oportunidade aparecer, e não espere para se preparar para quando a oportunidade aparecer. Quem desiste nunca vence, e só vence quem nunca desiste – comenta.
O começo
Antes de se tornar modelo, Vinicius trabalhava como mecânico e se lembra bem do dia que sua mãe contou que havia inscrito ele em um concurso.

– Bem, eu trabalhava como mecânico na oficina do meu pai em Abelardo Luz e minha mãe, que era diretora em uma escola, me ligou para ir para casa às 18h.  A equipe (Diego Comarella) foi à escola da minha mãe para comunicar que eles estavam procurando novos talentos e iriam fazer uma seleção em Abelardo para convenção em Chapecó. Lembro-me até hoje, quando minha mãe me ligou, eu estava embaixo do trator. Às 18h eu peguei minha moto, fechei a mecânica e fui para casa. Minha mãe me levou para um lugar, mas não me disse onde era.  Quando chegamos logo comecei a notar que tinham apenas crianças pequenos e só eu era o mais alto. Eles começaram a falar sobre o que era eu olhei para minha mãe e disse que eu iria sair porque esse negócio de modelo não era para mim e que eu não tinha a menor vontade de fazer isso. Eu precisava de um book com fotos e o custo na época era de R$ 1.000,00. Naquela época, meu pai estava em crise na mecânica, sem dinheiro, então eu não poderia participar do evento sem pagar. Lembro que meu pai comentou que se fosse para pagar em dez vezes no cheque poderíamos tentar. Logo o primeiro cheque voltou porque não havia saldo no banco, então eu não teria como participar do evento sem dinheiro. Resumindo, o funcionário do meu pai, Sidinei Moura me deu R$ 30,00 e minha mãe pegou emprestado de um professor da escola R$ 100,00, para eu ir ao evento. Quando cheguei tive que pagar o cheque que havia voltado e não sabia que tinha que comprar a camiseta do evento que custava R$ 20,00. No final, fiquei com R$ 10,00 pelos três dias. Eu tive sorte porque o hotel tem café da manhã. Finalmente, três agências de SP gostaram de mim, mas foi 40 graus do Sergio Mattos modelos que gostou mais de mim – conta.

Para continuar trabalhando ele precisava ir para o Rio de Janeiro. Mas, a dificuldade financeira era o maior empecilho.

– Como eu não tinha dinheiro para ir ao Rio, fui à Prefeitura da minha cidade para conversar com o prefeito e ele me ajudou, então conversei com dois vereadores e um fazendeiro da minha cidade. Havia tantas outras pessoas que me ajudaram a me apoiaram e que sou muito grato. Mas para eu não precisar gastar o dinheiro que eu tinha conseguido para ir de ônibus para o Rio, minha tia Ludi ligou para minha mãe e disse que meu tio Quinho iria fazer uma entrega de portas no Rio, mas primeiro em SP, e que eu poderia ir com ele, não pensei duas vezes. Lembro-me que minha mãe chorou muito porque somos de uma cidade pequena e eu nunca tinha ido a uma cidade grande sozinho e era jovem, na época com 19 anos de idade. Minha mãe e uma mulher me levaram para a rodoviária, peguei um ônibus para Xanxerê a 40 km de Abelardo Luz. Em Xanxerê, eu pensei que teria um ônibus para a cidade do meu tio, mas não tinha mais naquele dia, liguei pra minha tia e ela disse pra pegar um táxi e ir no posto lá em Xanxerê onde que supostamente passariam caminhões para tentar uma carona. Esperei por 30 minutos e não veio nenhum caminhão. Então peguei o telefone do taxista e liguei para ele para me pegar e me deixar na saída da cidade.  Quando sai do táxi, o primeiro caminhão que passou e eu sinalizei com a minha mão pra ele parar e pedir carona. Com diversas caronas de caminhoneiros e até da polícia consegui chegar até o meu tio. Viajei com meu tio entregando portas em SP por uma semana e depois fomos para o Rio, pegamos um guia para nos ajudar a encontrar a agência de modelos de 40 graus que na época estava no bairro de Botafogo. Eu não entendi como meu tio foi capaz de entrar com um caminhão tão grande no meio da cidade sendo que para carros pequenos era apertado. Ele ainda conseguiu estacionar o caminhão a poucos metros da agência – relembra.

Os primeiros meses na agência também não foram fáceis.

– Foram seis meses entre ficar no Rio e ir para casa e nesses seis meses eu não trabalhei nada, não tinha book, experiência, estava acima do peso. Em janeiro de 2010 fiz três desfiles de moda no Rio, onde tive muitas entrevistas contando um pouco da minha história e fashion week em São Paulo – detalha.

A partir daí muitas portas se abriram e ele destaca alguns desfiles mais importantes da sua carreira.

– Desfiles já fiz para diversas marcas no Brasil como Ellus, TNG, Ricardo Almeida, Second Flor, Reserva, Amir Slama, entre outros, no São Paulo Fashion Week, aqui em Milão com a Dolce Gabbana. Campanhas: Acostamento, Vide Bula, Lado Avesso, High Still, TNG, Duda Lina, M-Pollo, Ilícito, Yonders, Malware, Boticário, New Era em Nova York, entre outras.

 

Fonte: Lance Noticias/Patrícia Silva