CHAPECÓ
Início Notícias Índio Condá: Quem ele representa?

Índio Condá: Quem ele representa?

78

Hoje é dia 19 de abril, que desde 1943 é comemorado o Dia do Índio. Um dia dedicado a valorização da cultura indígena. Os municípios realizam celebrações, contam histórias e relembram o papel do índio durante a colonização do país. Em Chapecó, nossa figura representativa indígena é principalmente aclamado durante as partidas de futebol. O Índio Condá é considerado pelo município uma figura única e apoiadora. A pergunta que não cala é: quem foi Condá?

Vittorino Condá foi um índio que cresceu em meios aos militares, um importante personagem na colonização, principalmente de Chapecó. Porém, poucos registros existem desta figura, o que se sabe é o que é contado pelos historiadores e pelo seu povo. Pensando por este ângulo, a jornalista Alessandra Favretto decidiu pesquisar a fundo a vida de Condá e transforma-la em um documentário, o Espirito de Condá.

Alessandra explica que o seu interesse em descobrir mais sobre o Índio Condá surgiu em meio ao acidente da Chapecoense, em 2016, quando o nome do índio foi citado inúmeras vezes. “Eu lembro de um repórter sendo questionado sobre qual era a relação do Vittorino Condá com a Chapecoense. Ele não soube responder e acabou desviando o assunto”, explica. Neste momento, ela percebeu uma lacuna na história de Condá.

Inicialmente, Alessandra buscou pessoas que tivessem a ver com a Chapecoense, com a colonização de Chapecó e também antropólogos. De acordo com a jornalista, apenas coisas boas foram citadas sobre Condá e sua importância para a colonização do município. Ao buscar informações sobre o índio na Aldeia Condá, na reserva indígena de Chapecó, ela teve uma nova percepção.

“Foi bom para mim porque até aquele momento eu tinha tido apenas versões do Condá como uma pessoa boa, mas isso porque era uma percepção dos não indígenas. Por isso também tive a necessidade de conversar com os Caingangues, para entender o que eles sentiam. A percepção dos indígenas foi completamente diferente”, explicou.

Ao conversar com um dos seus personagens no documentário, o senhor Antônio, da aldeia Toldo Chimbangue, ela percebeu que havia um receio de falar sobre Condá porque ele não se sentia representado, assim como muitas outras pessoas indígenas. “Então, eu percebi que o Condá era visto de uma forma muito positiva por nós, os não-indígenas, que realmente não tinham esse diálogo com os indígenas para entender quem realmente foi Condá”, afirma.

Ao concluir as pesquisas e as entrevistas com historiadores, indígenas, não-indígenas, Alessandra explica que não poderia classificar o Índio Condá como mocinho ou vilão. “Antes do documentário eu tinha uma ideia muito simplista do Condá, que ele foi uma pessoa que defendeu a própria cultura, mas na verdade ele acabou sendo um canal para que os não-indígenas pudessem ter domínio sobre a região Sul e que prejudicou as pessoas da própria cultura. Hoje não vejo mais ele como um herói, não vejo mais ele como uma pessoa boa ou ruim, mas sim, como uma pessoa que agiu em benefício próprio”, finalizou a jornalista.

Conhecer mais sobre a história de um personagem tão importante para o crescimento do município é também perceber o quanto a cultura alheia é a nossa cultura também. Respeitar o outro não é um bem, mas uma obrigação de todos.

Por Marina Folle Schielke/ CH News/ ChapecóOnline/RL