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Saúde Junho Violeta: mês dedicado a prevenção do Ceratocone

Junho Violeta: mês dedicado a prevenção do Ceratocone

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O ato de coçar os olhos pode acarretar sérios danos à visão

Coçar ou esfregar os olhos parece algo inocente, mas fazer isso pode ser a causa de uma doença ocular que, se não tratada, pode acarretar sérios danos à visão: o Ceratocone. O nome talvez não seja tão conhecido, mas afeta, segundo estatísticas da literatura especializada, uma em cada duas mil pessoas no Brasil e cerca de 5% da população mundial, em seus diversos níveis da doença. As causas podem ser genéticas ou por fatores ambientais e para conscientizar sobre o Ceratocone e orientar a população sobre os riscos é que surge o Junho Violeta.
Conforme o oftalmologista chapecoense, Dr. Eduardo Vidal, o Ceratocone é uma doença degenerativa não inflamatória da córnea. “Ela faz com que a córnea fique afinada e no formato de cone, isso acontece principalmente por fatores genéticos e ambientais”. Além disso, à medida que a doença avança, a córnea aumenta a sua curvatura, o que provoca um desfoque visual. Ou seja, quanto mais a doença avança, maior o comprometimento da visão. Ainda segundo ele, o principal fator ambiental é o ato de coçar os olhos, sendo que um terço dos pacientes com Ceratocone têm doenças alérgicas associadas. “O ato de coçar o olho de forma vigorosa gera microtraumas na córnea, o que resulta no afinamento da mesma e a deixa em formato cônico”.
A doença costuma surgir entre o final da infância, adolescência ou início da vida adulta, sendo que a maior parte dos pacientes apresentam os primeiros sintomas na segunda década de vida. Conforme o Dr. o grande problema da patologia se manifestar ainda na infância é que quanto mais jovem o paciente, maior a chance e mais rápida pode ser a progressão. No entanto, depois dos 40 anos de idade, a doença tende a se estabilizar.
O Ceratocone não tem cura, mas pode ser tratado. Por isso, conforme Eduardo, o diagnóstico precoce é essencial. Uma consulta de rotina no oftalmologista geralmente é suficiente para a identificação da doença que é confirmada por exames complementares como paquimetria e topografia. “A partir daí a gente inicia o tratamento que depende do estágio da doença. Estágios iniciais podem ser tratados com óculos ou lentes de contato específicas, que podem moldar o formato da córnea e devolver a qualidade visual. Existem também procedimentos mais invasivos como o crosslinking da córnea que “congela” a córnea e faz com que a doença não evolua. E temos os procedimentos cirúrgicos, como de colação de anéis intracorneanos que fazem o relaxamento do cone, devolvendo o formato mais regular e também o transplante de córnea, onde pode ser substituída toda ela ou apenas camadas, dependendo do estágio da doença”.
O Ceratocone é a distrofia da córnea mais comum e pode afetar um ou ambos os olhos, mas geralmente de forma assimétrica, afetando cada olho de maneira diferente. Os principais sintomas são: visão distorcida ou embaçada, baixa visual, alteração frequente no grau do óculos, percepção de múltiplas imagens, olho vermelho e sensibilidade à luz.
O Dr. Eduardo destaca que a melhor forma de prevenir a doença é o acompanhamento anual com o oftalmologista, pois através de exames de rotina, ela pode ser descoberta. “Além disso, o principal é evitar coçar os olhos, pois realizar esse ato com frequência, seja por questões alérgicas ou até de ressecamento dos olhos ao ar ou das luzes, pode gerar a deformidade na córnea, elevando os riscos de surgimento do Ceratocone ou até o agravamento da doença”, destaca.
O Junho Violeta surge para conscientizar a população sobre a doença, que segundo o oftalmologista, causa alto impacto na rotina e na qualidade de vida, principalmente na parte produtiva. “É nosso papel como oftalmologista chamar a atenção de uma doença que pode ser prevenida e se descoberta de forma precoce, evitar a baixa visual grave nesses pacientes”, finaliza.

Texto: Tatiane Defiltro/ Sol Agência de Marketing
Foto: Ana Júlia Busa/ Sol Agência de Marketing

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