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Júri sobre tentativa de homicídio em Modelo será em Pinhalzinho

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Uma sessão do júri no Oeste do Estado de SC acontecerá em comarca distinta de onde tramitou o processo por conta da presença de uma servidora da Justiça na condição de vítima de tentativa de homicídio. Enquanto o juiz Wagner Luiz Boing se declarou impedido para presidir a sessão, os servidores da comarca de Modelo se deram por suspeitos para trabalhar no julgamento que envolve a colega. Com isso, os trabalhos vão acontecer na vizinha comarca de Pinhalzinho, sob o comando do juiz Caio Lemgruber Taborda, na próxima sexta (24). O caso é considerado inusitado. O crime teve grande repercussão em toda a região.

Segundo a denúncia, marido e mulher discutiam na noite de 15 de julho de 2020 por conta de uma transação imobiliária em que divergiam sobre os detalhes. Motivo suficiente para que o homem desse início a agressões contra a esposa, por volta das 20h30. Depois de apertar o rosto da vítima contra o sofá, o marido forçou a mulher a registrar um boletim de ocorrência, via internet, onde fez relatar o horário (23h55) e a maneira como a mataria, com o uso de uma faca que tinha em mãos. Na sequência, anunciou que tiraria a própria vida. O agressor ainda obrigou a vítima a escrever uma carta de despedida aos familiares.

Já no segundo andar da residência, onde o agressor pretendia cometer o homicídio seguido de suicídio, a mulher conseguiu se desvencilhar e pular pela sacada do quarto, a uma altura de três metros e 40 centímetros. A chegada da guarnição da Polícia Militar não intimidou o homem que, ao receber voz de prisão, investiu contra os policiais para lhes causar ferimentos. Um deles chegou a desmaiar depois de o homem lhe aplicar um “mata-leão” e ficar sobre seu corpo.

Na unidade hospitalar, o réu perguntou aos policiais: “Posso fazer xixi aqui? O senhor segura o papagaio para mim?”, configurando desacato a autoridade. E ainda, quando questionado se tinha filhos com a vítima, respondeu que não teria com ela por ser “alemoa, e alemão tem que matar tudo pra não procriar”, o que foi considerado racismo.

Desta forma, o acusado responderá por tentativa de homicídio qualificada por motivo fútil, emprego de tortura física e psicológica e feminicídio, além de outra tentativa de homicídio qualificada por emprego de asfixia e crime cometido contra agente de segurança pública. Ele também é acusado de ofender a integridade corporal ou saúde de outrem, cárcere privado, resistência à prisão, desobediência à ordem de funcionário público, desacato (por duas vezes) e racismo.

O júri acontecerá em uma sala da Associação Comercial de Modelo e tem início previsto para as 8h. Além de todos os protocolos sanitários em função da pandemia de Covid-19, a presença de público estará restrita a 30% da capacidade do Salão do Tribunal do Júri. Familiares do acusado e da vítima têm preferência para participação.

Fonte:Ascom