CHAPECÓ
Início Geral Justiça Militar julgará PM por morte de jovem em perseguição pelas ruas...

Justiça Militar julgará PM por morte de jovem em perseguição pelas ruas de Chapecó

8940

Em sessão do Tribunal do Júri realizado na comarca de Chapecó, após mais de 10 horas de debates, o conselho de sentença desclassificou a conduta atribuída ao réu, um policial militar acusado pelo homicídio de um jovem, para crime culposo – sem intenção, com a atribuição de competência absoluta da justiça especializada. Os jurados entenderam que o acusado não assumiu o risco de causar a morte da vítima e sua conduta foi praticada no exercício da função. Cabe agora à Justiça Militar analisar eventual crime remanescente.

Segundo a denúncia do Ministério Público, no início da madrugada de 9 de outubro de 2016, dois policiais militares faziam rondas pelo bairro Seminário, em Chapecó, quando avistaram um veículo em alta velocidade. Dos três ocupantes, dois eram adolescentes. Sem acatarem a ordem de parada, teve início a perseguição.

No distrito de Marechal Bormann, próximo a uma casa de eventos, o policial que estava no lado direito da viatura efetuou nove disparos de revólver contra os fugitivos, conforme apontado pela perícia. Como o veículo em fuga não parou, o mesmo policial efetuou mais quatro disparos de espingarda, que estouraram o vidro traseiro e os dois pneus do lado direito do carro perseguido.

Na abordagem, os militares constataram a morte de um dos ocupantes do banco de trás, atingido na nuca por um dos tiros. Foi então que o policial, sempre segundo denúncia do Ministério Público, acertou o capô da viatura com um disparo de espingarda para argumentar legítima defesa. O policial que dirigia a viatura foi indiciado por participação no crime, já que manteve o veículo no encalço dos fugitivos mesmo após os disparos. No entanto, ele morreu durante o processo. O crime de fraude processual também ficou a cargo da Justiça Militar.

O promotor de justiça, Alessandro Argenta atuou na acusação, enquanto a defesa do réu esteve a cargo dos advogados Alexandre Santos Correia De Amorim e Celito Damo Gastaldo. A sessão foi presidida pelo juiz Jeferson Osvaldo Vieira. Antes do início do júri, realizado na última sexta-feira (30/7), aproximadamente 30 policiais se reuniram na frente do fórum, oportunidade em que manifestaram apoio ao réu.