Meio ambiente não é moeda de troca fala Vereadora Marcilei Vignatti

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O desafio ambiental ultrapassa os debates de conhecimento geral, que incluem a necessidade do enfrentamento ao desmatamento, ao aquecimento global, a produção de lixo ou o consumo de água, etc. Precisamos mensurar e entender como essas questões se agravaram justamente quando ampliamos as políticas e as leis ambientais e as tornamos mais conhecidas.

Os acordos internacionais, conferências, inclusão do tema na educação e investimentos em políticas ambientais andaram a passos mais lentos do que o processo de destruição do natural. A ampliação do consumo de toda ordem e as escalas cada vez mais agressivas da produção de bens para a sociedade devem chamar nossa atenção, para romper um consenso que esconde a gravidade e a complexidade do tema, essas questões não se resolvem com medidas paliativas.

Quando consumimos muita energia, por exemplo, justificamos as grandes hidrelétricas; quando falamos de produção de alimentos em larga escala, justificamos a irrigação em massa; quando falamos de inovação e tecnologia, justificamos a existência de minas de exploração de minérios; quando poluímos as águas alimentamos uma enorme indústria de água engarrafada. Estamos fazendo trocas de alimentos saudáveis por alimentos ensacados, enlatados, embalados, congelados e modificados.

Isso tudo vira um negócio potencial para alguns e um problema para os gestores públicos e para a sociedade de modo geral. Brumadinho e Mariana são exemplos nacionais recentes.

Em Chapecó gastamos R$ 20 milhões por ano com coleta de resíduos e precisamos gastar outros milhões para implantar programa para enfrentamento a realidade do lixo. Projetos milionários pretendem resolver o problema de abastecimento, enquanto vemos avançando aterros de banhados, assoreamento de riachos, ocupação irregular de pessoas de baixa renda e de abonados sobre áreas de preservação etc.

O debate das questões ambientais não pode, portanto, ser um debate marginal e tão pouco deixar de ser uma prioridade enquanto política de Estado. Não interessa ao Brasil o enfraquecimento do Ministério do Meio Ambiente, o fim das reservas legais, a revisão das unidades de conservação ou qualquer flexibilização de fiscalização.

Certamente não podemos atribuir de forma igual para todos os problemas ambientais atuais, porque eles derivam de um modelo de desenvolvimento que produz muitas desigualdades. Uns minutos a mais de um banho não podem ser comparados aos grandes eventos de poluição de água, mas é fato que as questões ambientais são desafiadoras demais para não serem responsabilidade de toda sociedade.

Gabinete Vereadora Marcilei Vignatti