Migrantes venezuelanos desembarcam em Chapecó para trabalhar em agroindústria

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Um grupo com 59 migrantes venezuelanos irá desembarcar em Santa Catarina neste mês, para iniciar uma nova fase a partir de oportunidades de emprego no Sul do pais. Eles estavam abrigados em centros de acolhimento em Boa Vista (RR).

Trinta e um deles foram contratados para trabalhar numa indústria de alimentos na região de Seara, e um venezuelano segue viagem para Frederico Westphalen (RS), onde irá trabalhar numa empresa de peças mecânicas. As outras 27 pessoas são acompanhantes familiares. A viagem da capital roraimense para Chapecó será realizada com o apoio da Organização Internacional de Migração (OIM).

 

As oportunidades de empregos surgiram a partir de uma parceria entre as empresas contratantes – que abriram os processos seletivos em Boa Vista (RR) –  o Serviço Jesuíta para Migrantes e Refugiados (SJMR Brasil) e a AVSI Brasil, que gerencia sete abrigos para migrantes e refugiados na região. A AVSI acompanhou as entrevistas dos venezuelanos e viabilizou a interiorização do grupo para Santa Catarina e Rio Grande do Sul, através do projeto Acolhidos por meio do trabalho.

Segundo a gerente do projeto, Thais Braga, uma parte do grupo irá residir na cidade de Seara (SC), um grupo menor, na cidade de Itá (SC), a aproximadamente 21 quilômetros. Além deles, uma família segue para a cidade de Frederico Westphalen (RS).

“Sabemos que essa transição merece toda atenção, já que essas pessoas estão saindo de Boa Vista e não contam com recursos para arcar com aluguel ou outras despesas neste momento. Por isso, garantimos um acompanhamento de três meses, para que eles consigam economizar seus proventos e, a partir do quarto mês, consigam sua autonomia definitiva”, explica. O projeto também prevê a atuação de uma assistente social que fará o acompanhamento junto aos grupos por três meses, visando apoiar com a integração local e com a empresa.

 

Para o diretor nacional do Serviço Jesuíta, Pe. Agnaldo Júnior, “as ações realizadas em parceria são capazes de produzir um resultado muito melhor e garantir um impacto transformado de maior duração. Por isso apostamos nesse trabalho conjunto com a AVSI. Esperamos que os migrantes e refugiados aproveitem bem essa oportunidade e possam viver em melhores condições, juntamente com suas famílias”, ressaltou

 

Todos os novos contratados começam as atividades em outubro. Eles já concluíram as etapas do processo seletivo e estão com as documentações e vacinas em dia. Além disso, os migrantes também passaram por exames da Covid-19 e devem cumprir um período de quarentena antes das atividades laborais. As empresas contratantes preveem políticas e procedimentos de segurança e proteção da saúde dos colaboradores, por isso vem adotando todas as medidas preventivas em suas operações, como limpeza, controle de higienização, aferição de temperatura diária e protocolos de distanciamento.

 

Este é o segundo grupo interiorizado pelo projeto Acolhidos por meio do trabalho no estado. Em fevereiro a AVSI Brasil e o Serviço Jesuíta intermediaram a chegada e monitoraram o acompanhamento de 87 venezuelanos para a região, durante três meses. Depois disso, todos já deixaram as acomodações temporárias e residem na região com recursos próprios. “Nossa avaliação do primeiro grupo é altamente positiva. Os venezuelanos se adaptaram bem à cidade e elogiam muito o acolhimento que receberam, tanto na empresa onde trabalham, como em suas comunidades”, observa Thais. 

A chegada

Os migrantes irão desembarcar no aeroporto Serafim Enoss Bertaso, em Chapecó, em voos e dias alternados. 47 chegam na próxima quarta-feira, em voos previstos no período da manhã e da tarde. Ao desembarcarem, todos serão conduzidos para as residências temporárias, em Seara e Itá, com transporte fornecido pela empresa.

Já outro grupo, com nove pessoas, tem chegada prevista para o final do mês. Uma família com três integrantes chega no dia 9 de outubro e segue viagem para Frederico Westphalen (RS). A locomoção também está prevista pela empresa contratante. Todos os grupos serão assistidos pelo projeto Acolhidos por meio do trabalho.

Eles estavam abrigados em centros de acolhimento em Boa Vista (RR) (Foto: Divulgação)