Polícia Civil esclarece caso de mulher baleada no centro de Chapecó

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A Polícia Civil de Chapecó esclareceu o caso da mulher baleada em via pública no dia três de junho deste ano, no centro da cidade. O caso ocorreu no começo da tarde daquela data, no cruzamento das avenidas Deodoro da Fonseca e Getúlio Vargas, centro de Chapecó, próximo a agências bancárias.

Nesta data, Maria Aparecida Moraes, de 48 anos, foi atingida na cabeça por um disparo de revolver .765. Socorrida, foi salva após cirurgia para retirada do projetil, que estava alojado.

Quase de imediato, o autor, um paraguaio de 30 anos, foi preso pela Guarda Municipal. Com ele, foram apreendidos dois celulares e dinheiro. Apresentando documento de identidade falso, foi autuado em flagrante. O caso foi repassado para a Divisão de Investigação Criminal (DIC). As informações foram divulgadas, em entrevista coletiva, na manhã desta quinta-feira (26), na sede da 12ª Regional de Polícia.

INVESTIGAÇÃO

Segundo divulgado em entrevista coletiva pelo delegado Vagner Papini, a investigação apurou que o homem de 30 anos, paraguaio, chegou em Chapecó no dia 27 de maio. Dois veículos, frequentemente, mantinham contato com o atirador. Identificados os proprietários, chegou-se ao homem que o contratou, em Cidade do Leste, no Paraguai. Era Fabiano Aristides, 37 anos, que está foragido.

Foto: Guilherme Griebeler / Rádio Chapecó

O paraguaio receberia R$ 35 mil; R$ 15 mil a vista, com a obrigação de comprar uma arma, uma motocicleta e vir para o Brasil. Aqui, deveria praticar o crime e após isso, receberia outros R$ 20 mil. O atirador chegou ao Brasil no dia 24 de maio, entrou por São Borja (RS) e ficou em Frederico Westphalen (RS), onde Fabiano Aristides foi busca-lo o trouxe até Chapecó.

Por uma semana, a vítima foi procurada, mas não encontrada. Somente no dia três de junho a mulher foi localizada. O paraguaio acompanhou a vítima até o local do crime. O combinado, de acordo com o delegado, seria simular um roubo, onde deveria levar o veículo ou a bolsa de Maria Aparecida, fazendo parecer um latrocínio.

OS ENVOLVIDOS

Fabiano Aristides, foragido, era esposo de uma cartomante. Uma cliente da cartomante era a ex-mulher do atual companheiro da vítima.

Quatro pessoas estão diretamente ligadas ao caso: o paraguaio (preso em flagrante), a cartomante (esposa de Fabiano e presa na tarde do dia 25/09/2019), Fabiano Aristides (foragido e contratante do matador) e a ex-mulher do atual companheiro da vítima (cliente da cartomante e mandante)

Foto: Polícia Civil (Imagem divulgada com autorização judicial)

FORAGIDO

O delegado Papini explicou que Fabiano Aristides, foragido, chegou a ir até a Delegacia com um advogado e mostrou intenção de firmar um acordo de colaboração. Após uma semana, ele fugiu. O advogado, porém teve acesso aos autos do processo. A Polícia agora pede a colaboração da comunidade na localização do fugitivo. Por isso, a divulgação de sua imagem, com autorização judicial.

PRISÃO DA CARTOMANTE

A esposa de Fabiano, cartomante presa na tarde de quarta-feira (25), ficou em silêncio e foi encaminhada ao Presídio de Chapecó.

MANDANTE EM LIBERDADE

A mandante, ex-mulher do atual companheiro da vítima e cliente da cartomante, está em liberdade, pois segundo a Polícia Civil, colabora com a investigação tão logo foi identificada. O pedido de sua prisão preventiva ainda está sob análise.

CONTRATAÇÃO DO CRIME CUSTARIA MAIS DE R$ 1 MILHÃO

A Polícia Civil diz que a mandante contratou serviços dessa cartomante, pelos quais pagou R$ 20 mil, mas os resultados não foram efetivos. Ao reclamar, a cartomante pediu para ela (mandante) mais R$ 340 mil, que foi pago, com a finalidade que a vítima morresse. A cartomante contou com a ajuda do marido (foragido), que foi até o Paraguai e contratou o matador. Essas informações foram relatadas pela própria mandante à Polícia.

O delegado Vagner Papini entende que “ali foi encomendado o crime de homicídio”.

Foto: Leonardo Vassoler / Rádio Chapecó

Após o crime, a cartomante procurou a mandante e disse que o “serviço não deu certo” e que precisava de outros R$ 800 mil para empreender fuga. Assim, a mandante assinou 16 cheques de R$ 50 mil cada e entregou.

Um desses cheques foi compensado e as outras 15 folhas foram sustadas, após todos serem descobertos e identificados, provavelmente por orientação da defesa. O valor total envolvido chega a R$1 milhão 140 mil, sem contar o valor pago pelos serviços de simpatia e o valor pago ao matador. A mandante contou para a Polícia que foi ameaçada pela cartomante para pagar os R$ 800 mil, que se não pagasse “vai acontecer contigo e sua família o mesmo que aconteceu com a vítima”. Os comprovantes dos cheques estão nos autos.

OS CRIMES

Todos os quatro responderão por homicídio qualificado tentado, motivo torpe, pagamento de recompensa e traição, uma vez que o tiro foi disparado pelas costas da vítima.

CALIBRE

O projetil ficou alojado no crânio da vítima, que foi socorrida e salva no hospital. O delegado Vagner Papini comentou que o calibre da arma foi determinante na gravidade das lesões. “Fosse mais potente, poderia ter morrido no local”, declarou, ao explicar que foi utilizado uma .765, equivalente ao calibre 32 no Brasil. A arma era fabricada no Paraguai.