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Geral Primeira diálise peritoneal é realizada na UTI Neonatal da Unimed Chapecó

Primeira diálise peritoneal é realizada na UTI Neonatal da Unimed Chapecó

Pediatria e desenvolvimento.

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O que, de fato, significa entrar para a história? Muitas pessoas são reconhecidas ao longo dos anos por seus feitos, por suas lutas. Vitória Artifon do Nascimento lutou desde muito cedo. Com apenas alguns dias de vida, já fazia parte de um marco na história da Unimed Chapecó. Ela é a primeira criança com menos de 28 dias de vida a receber uma diálise peritoneal na UTI Neonatal da cooperativa médica.

Nascida em 3 de janeiro de 2021 no Hospital Unimed Chapecó, a filha de Rovani Artifon do Nascimento e Edson do Nascimento recebeu o diagnóstico de malformação na bexiga. Ela possuía uma ligação entre o órgão e o útero, o que causava a impossibilidade de urinar. A bebê também enfrentava problemas no coração e no pulmão. Após a cirurgia para corrigir a ligação entre útero e bexiga, mais um problema: os rins de Vitória deram sinais de lesão renal aguda, ou seja, estavam parando de funcionar. Por conta disso, decidiu-se que seria necessária a realização da diálise peritoneal.

O procedimento consiste em inserir um cateter que está ligado à uma bolsa na barriga da bebê. Por meio do cateter, um líquido específico é injetado para que haja uma troca feita por uma membrana interna. A membrana responsável por essa função é chamada de peritônio. Durante a troca, subprodutos e líquidos que precisam ser retirados do corpo da bebê são extraídos em tempo determinado pela equipe que realiza a diálise. Ao todo, Vitória ficou mais de 48 horas sendo dialisada, recebendo a troca de líquidos a cada 20 minutos.

Todo este processo é realizado manualmente, o que exige uma equipe preparada para receber pacientes nessas condições. Coordenadora da UTI Neonatal da Unimed Chapecó e médica pediatra neonatologista, Dra. Camila Luiza Biazi explica que o procedimento proporcionou muito aprendizado a toda a equipe e que, se houver a necessidade de atender a mais casos como o de Vitória, todos estarão preparados.

Outro ponto ressaltado por Camila foi a possibilidade de oferecer este procedimento, já que os materiais estavam disponíveis para pronta utilização. “Foi fundamental no caso dessa paciente termos o material necessário disponível. O processo andou rápido, andou bem, porque a Unimed Chapecó tinha todo o material que precisava. O hospital estar preparado para atender prontamente a paciente nesse caso fez toda a diferença”, ressalta.

Nefropediatra e cooperada da Unimed Chapecó, Dra. Pâmela dos Santos participou da coordenação da diálise. Para ela, a realização deste procedimento é um grande passo para a pediatria em Chapecó. “Para Chapecó e região, a Unimed ser pioneira nesse campo faz com que a pediatria entre como prioridade. Antigamente, as crianças que recebíamos geralmente precisavam ir para fora da cidade. A diálise peritoneal sendo feita aqui mostra que estamos nos preparando para esse futuro, para sermos um centro pediátrico também”, afirma.

EMPATIA E ACOLHIMENTO

Em um primeiro momento, os pais de Vitória não tinham conhecimento de que o procedimento realizado na filha seria inédito, mas relatam que a explicação da equipe médica foi muito detalhada quanto ao que seria feito. “Quando nos foi apresentada a solução, foi de uma riqueza de detalhes. Eles explicaram para mim como seria o procedimento. Todos os dias que a gente chegava lá, vinha o pessoal falar como ela estava. Eles nunca deixaram de dizer nada para nós, sempre foram muito transparentes”, explica Edson.

Vitória passou 33 dias na UTI Neonatal e mais alguns dias no quarto. Durante esse tempo, a convivência entre a família e a equipe responsável pelo tratamento da bebê se tornou próxima. Edson explica que só percebeu a quantidade de pessoas envolvidas nos cuidados da filha quando participou da primeira reunião com a equipe médica. “Na primeira reunião que fomos, nos apresentaram fonoaudióloga, fisioterapeuta, enfim, uma equipe enorme de pessoas que ficaram cuidando da nossa filha. Foi uma sensação muito boa porque é um momento bem difícil para o pai e para a mãe. Criamos a expectativa de ter a nossa filha e vir para casa com ela. Passar por aquele momento já estava sendo traumático, mas as pessoas que lá estavam foram extremamente importantes e nos ajudaram bastante para superar”, afirma.

Após dias desafiadores e de muita luta, Vitória está recuperada do procedimento. Para a família, o que restou da experiência vivida na Unimed Chapecó foi a gratidão pelo acolhimento que receberam dos profissionais da saúde. “Só temos a agradecer, desde a recepcionista até os médicos, especialistas. A gente sempre teve muita atenção. A dedicação deles com a Vitória foi excepcional. Hoje em dia não é em qualquer lugar que você encontra essa empatia e essa dedicação, essa perseverança e essa credibilidade que eles passavam para nós. É muito difícil você sair de uma UTI e ir para casa com segurança, mas nós deixávamos a nossa filha lá e saíamos com a certeza de que ela seria muito bem tratada”, afirma Rovani.

Fonte: MB

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