Professores protestam há três dias em frente ao Núcleo Regional de Educação de Pato Branco

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Desde segunda-feira (9), um grupo de professores de escolas indígenas e quilombolas da microrregião de Pato Branco (PR) realiza protestos, em frente ao Núcleo Regional de Educação (NRE), contra o edital 47/2020 que diz respeito a realização do Processo Seletivo Simplificado (PSS).
 
Conforme os manifestantes, estão sendo reivindicadas algumas alterações no atual edital, que estavam presentes nos anteriores já publicados. Professores lutam pela inclusão de vagas para profissionais da língua materna dos indígenas e para os anos iniciais e de educação infantil. Além disso, também solicitam que o PSS não aconteça de maneira presencial, devido a pandemia do novo coronavírus, assim como também pedem pela isenção na taxa de inscrição e por alterações no sistema das cartas de anuência — documento emitido por lideranças das comunidades para profissionais da educação.
 
Segundo Rosemari Ferreira da Silva Camara, pedagoga do Colégio Estadual Quilombola Maria Joana Ferreira, situado em Palmas, o Governo do Paraná não procurou o setor da adversidade para verificar as necessidades de indígenas e quilombolas. Para ela, é importante que ocorram as alterações para que nenhum professor e aluno seja prejudicado. “Queremos que coloquem as nossas especificidades em edital oficial, até que isso não ocorra permaneceremos aqui”, disse explicando que, se não houver um retorno da Secretaria da Educação e do Esporte (Seed) passarão a acampar no local.
 
Sem atendimento presencial
 
Durante a quarta-feira (11), de forma pacífica, os manifestantes impediram que os servidores do NRE em Pato Branco trabalhassem no prédio do núcleo. Uma das manifestantes e organizadoras da ação, a pedagoga da Escola Estadual Indígena Nitotu, em Clevelândia (PR), Fernanda Lima dos Santos, disse que a situação só será normalizada quando a Seed protocolar em Diário Oficial as mudanças exigidas.
 
O que diz o NRE
 
De acordo com o chefe do Núcleo Regional de Educação de Pato Branco, Marcelo Oltramari, todos as solicitações dos manifestantes estão sendo encaminhadas para a Seed, desde segunda-feira, quando iniciaram os protestos em frente ao órgão estadual. “Ontem [terça-feira], colocamos alguns pontos mais essenciais na negociação e hoje nós tivemos uma resposta verbal, através do nosso diretor da Secretaria da Educação, onde ele disse que os pontos seriam acordados, principalmente com relação a carta de anuência, que é uma das principais reivindicações.”
 
Devolutiva da Seed
 
No fim da tarde de quarta,a Seed se manifestou sobre as reivindicações dos professores. Conforme um dos manifestantes, o diretor de uma escola em Mangueirinha (PR), Adenir Machado, alguns pedidos foram acatados, porém, ainda faltam algumas questões.
 
Entre elas, faltou resolver a questão da isenção da taxa de inscrição, pois, o pedido foi encaminhado pela Seed à Procuradoria e, até o fim da tarde, não havia tido um retorno. Além disso, a resposta da Secretaria deveria vir, em protocolo, mas foi emitida em ofício. “Por isso, continua o movimento”, disse explicando que as lideranças ainda estão decidindo o futuro da manifestação.
Informações e foto: Diário do Sudoeste