CHAPECÓ

    Rodrigo Casarin: A mente no comando do sub-20 da Chape

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    Ora pensativo, observador e comedido, ora extravagante. Esse é o Chip, ou Rodrigo Casarin, técnico do sub-20 da Chapecoense, na beira do campo. Fora dele, vive uma vida pacata com sua esposa e filha. Prefere ler, ouvir um bom rock’n roll e claro, assistir futebol. Apreciador do futebol ofensivo, bem jogado e com valorização da bola, Chip busca inspiração no futebol e em técnicos europeus.

    Na sua visão, o futebol moderno se assemelha muito ao futebol do passado, mas com muito mais intensidade e dinâmica hoje. Suas referências de profissionais passeiam entre as décadas. Nas mais antigas, tem Johan Cruijff, lendário jogador e treinador holandês, e Arrigo Sacchi, italiano que comandou a seleção de seu país na Copa do Mundo de 1994. Já na atualidade, busca observar muito e entender os conceitos de jogo de Guardiola, do Manchester City, Maurizio Sarri, do Napoli e Jürgen Klopp, técnico do Liverpool.

    Muitos o veem como um ‘estudioso da bola’, mas ele discorda. “Temos que desmistificar esse termo. Para mim o futebol é uma ciência, uma arte. Acredito que temos que o estudar como fazemmos em outras profissões, para evoluir no conhecimento. O futebol faz parte de uma dimensão social que precisa ser estudada”, destaca.

    Obcecado pelo que faz, Chip busca a evolução constantemente. “Eu vivo o futebol 24 horas por dia e me vejo como alguém que busca a evolução diária. Sempre estou muito inquieto. Prezo pelo crescimento de cada jogador. Tento potencializar o máximo as qualidades de cada um”, revela.

    É pensando no crescimento e com admiração pelo futebol europeu que neste ano Rodrigo Casarin fará mais um intercâmbio na Espanha, na Itália e em Portugal. Essa será a quarta ida do técnico para o velho continente: em 2011, Portugal; 2014, França; e 2016, Alemanha e Holanda.

    História e passagens pela Chapecoense
    Casarin é graduado em Educação Física e pós-graduado em Futebol e Futsal: As Ciências do Esporte e a Metodologia do Treinamento, pela UGF. Segundo ele, a formação em campeonatos amadores e os tempos de escolinha também foram fundamentais para ser o profissional que é hoje.

    Ele conta que tentou a vida de jogador, mas lesões sérias no joelho o afastaram do sonho. “Vivi o futebol desde muito jovem. Comecei no futsal com seis anos e mais tarde alternei com o campo. Tentei alguns testes em clubes, mas sem sucesso. Tive duas lesões muito graves que me prejudicaram, então após os 19 anos resolvi que ia estudar para ser técnico de futebol.” Nesse meio tempo, Chip foi auxiliar técnico, técnico e preparador físico em equipes amadoras.

    Em 2012, chegou na Chapecoense como coordenador da escolinha e treinador do sub-13 e sub-15. De 2013 até meados de 2014 comandou o sub-17 e era auxiliar no sub-20. “Na minha primeira passagem a base não tinha uma estrutura sólida. Nosso calendário também era defasado, ainda em processo de evolução”, comentou. De metade de 2014 até 2016, comandou as equipes sub-17 e sub-20 do Desportivo Brasil, equipe paulista. Até que, no final de 2016, veio o convite para voltar à Chape, que foi prontamente aceito.

    Na sua volta ao clube, assumiu a equipe juvenil até junho, quando subiu para o sub-20. “Agora temos uma estrutura muito melhor e calendário cheio de competições de ponta. É um processo de manutenção e evolução para revelarmos cada vez mais atletas.” Casarin ainda destaca o sentimento de fazer parte da Chape. “Trabalhar na Chape é um sentimento de gratidão e uma sensação diferente por tudo o que aconteceu. Muitos profissionais queriam estar aqui, então temos que valorizar a oportunidade e fazer o melhor buscando contribuir para evolução da base e do clube em geral”.
    No comando do sub-20, Chip foi vice campeão do Catarinense, chegou entre os oito melhores do Brasileiro e teve a convocação para a Seleção Catarinense Sub-20. “Gosto muito das categorias de base, me vejo como um formador. Vou fazer um estágio na Europa, trazer muitas coisas de lá para evoluir cada vez mais e transmitir esse conhecimento aos atletas. Não sou obcecado por ser treinador de uma equipe profissional. Se tiver que acontecer, vai ser natural”, finalizou.

    Por Rafael Bressan