Servidor lança livro com teoria de que Madagascar é originária da América do Sul

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O gaúcho de Planalto, Noroeste do Rio Grande do Sul, veio para Santa Catarina por causa do concurso público do Tribunal de Justiça há 20 anos. Ivanglezio Limberger tornou-se oficial de justiça e fixou residência em Chapecó, Oeste catarinense. Mesmo temente, sempre foi um admirador dos répteis, principalmente de cobras, presentes em grande quantidade na região onde cresceu. E foi pesquisando sobre o animal que percebeu algo importante.

“Descobri que as cobras mais venenosas do mundo vivem na África, Ásia e Austrália. A ilha de Madagascar está no meio destes continentes e país, mas não tem nenhum tipo de cobra venenosa. Estranhei muito e comecei a pesquisar sobre outros fatores que cada vez mais evidenciavam a relação de Madagascar com a América do Sul”, relata.

Histórico de dinossauros, vegetação, rochas, fundo oceânico (que é o relevo do fundo do mar)… tudo é compatível entre as localidades, apesar da distância geográfica. “Recortei o mapa e percebi que Madagascar encaixa no desenho do Sul do nosso continente, onde está a Argentina. O deslocamento da ilha demorou entre 130 milhões e 80 milhões de anos”, observa.

O bacharel em Direito não obteve sucesso em contatos feitos com especialistas da geologia. Até que encontrou um cientista português que defende a incompatibilidade dos tipos de rochas da África, Ásia e Austrália com a ilha. Uma famosa revista europeia de geologia considerou publicar a teoria, o que motivou ainda mais o pesquisador. Agora com o livro Teoria da Movimentação Geográfica de Madagascar, recém saído da gráfica, o objetivo é o reconhecimento da classe científica.

“Jamais imaginei escrever um livro, muito menos sobre este assunto. A experiência foi maravilhosa. Sinto-me muito honrado e privilegiado por concluir com êxito esse estudo. Foram um ano e meio de pesquisas diárias que renderam 20 quilos a mais ao meu corpo, mas valeu muito a pena”, avalia o mais novo escritor.

Uma editora demonstrou interesse em publicar o livro na plataforma online (e-book) e no idioma inglês. São 64 páginas com 42 figuras que ajudam na compreensão da teoria do oficial de justiça. Nesta primeira edição, foram impressas 536 unidades que serão distribuídas gratuitamente no Brasil e nos demais países da América do Sul. “Nunca imaginei chegar tão longe. Quero o reconhecimento da categoria e que este estudo sirva de base para outras teorias que podem ajudar na compreensão de fatores geológicos com grandes impactos sociais como os terremotos, por exemplo”, finaliza Limberger ressaltando que grandes teses da área foram apresentadas por profissionais leigos no assunto.

Texto e foto: Elizandra Gomes/Assessoria TJSC – Chapecó