Sobrevivente de acidente da Chapecoense faz desabafo

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O zagueiro Neto, que sobreviveu à queda de avião com integrantes do clube Chapecoense, fez um desabafo sobre a situação dos familiares das vítimas da tragédia. O jogador integra um movimento que cobra indenizações aos responsáveis pelo acidente.

Segundo Neto, até o momento, apenas o seguro, que é previsto na Lei Pelé, foi pago. O acidente resultou na morte de 71 pessoas, em 2016.

A impunidade dói mais do que a tragédia. A tragédia tem de ser superada. Depois de tudo o que se passou, os sobreviventes têm de tentar superar. Mas ao observar o outro lado de toda a tragédia, a gente vê um momento de impunidade. O que mais me magoa e o que mais me chateia é a impunidade. Para a seguradora, aqueles que fizeram os contratos e também para os países envolvidos, nós somos números que aconteceram e ficaram para trás – disse.

De acordo com o Estadão, algumas famílias chegaram a aceitar um acordo, abrindo mão de processos judiciais. Na próxima segunda-feira (30), Neto, parentes de vítimas e advogados planejam um protesto diante da multinacional Aon, que tem sede na Inglaterra. Segundo eles, a empresa é a corretora do seguro do trágico voo.

Além de Neto, os outros jogadores que sobreviveram foram o goleiro reserva Jackson Follmann, que teve a perna amputada, e o meia Alan Ruschel, que atualmente joga no Goiás. Eles não participarão do protesto.

Desde o acidente, Neto está sem voltar aos gramados. Porém, ele revelou que ainda planeja um retorno.

– A possibilidade de voltar a jogar é boa. É um grande desejo meu voltar a jogar. Queria voltar para encerrar a carreira que foi desajustada de forma tão trágica. Eu tinha planos, tinha uma carreira pela frente. Estava certamente no melhor momento da minha carreira. Depois de tudo o que aconteceu, quero tentar voltar para jogar um pouco mais e tentar ajudar a Chapecoense nesse tempo que me resta dentro do futebol.

O atleta disse ainda que lembra de momentos antes da queda da aeronave.

– Eu me lembro de olhar para meus companheiros no avião. Olhar para o grande amigo que perdi, o Bruno Rangel, centroavante da Chape, maior artilheiro da história do clube. Era um ídolo para mim e fez muito pelo time. Eu me lembro do momento de oração quando as luzes se apagaram antes de o avião cair. Eu me lembro de perceber que o avião não estava mais ligado, respirar fundo e orar – contou.

Fonte: pleno.news/Foto: Reprodução