CHAPECÓ
Início Notícias Uma amizade, uma kombi e muitas histórias para contar

Uma amizade, uma kombi e muitas histórias para contar

Rodrigo Vilar Ifanger e Tiago Nery transformaram um veículo em moradia e saíram pelo mundo com o propósito de conhecer pessoas, lugares, situações, estilos de vida

8356

Você já imaginou sair de sua casa, arrumar uma pequena bagagem, transformar um veículo em moradia e sair pelo mundo com o propósito de conhecer pessoas, lugares, situações, estilos de vida? Pois saiba que dois jovens de São Paulo se aventuraram nessa missão e passaram, inclusive, por Erechim. A equipe de reportagem do Bom Dia conversou com eles e traz os detalhes a seguir…

O princípio de tudo…
Rodrigo Vilar Ifanger e Tiago Nery são amigos de infância e convivem a muitos anos em São Paulo. Com o passar do tempo eles se tornaram jovens e um dia resolveram sair da casa dos pais e dividir um espaço com outros amigos, em uma espécie de ‘república’.
Além da cumplicidade, parceria, a dupla tinha um anseio em comum: conhecer o mundo. Aos poucos, as vivências acabaram reforçando esse desejo. “Em um fim de semana fomos a Ubatuba, litoral Norte de São Paulo e nos hospedamos em um hostel. No local vimos uma kombi estacionada na frente. Era um casal que vivia no veículo e trabalhava no local para poder tomar banho e usufruir da estrutura. Isso nos chamou muito a atenção: as nossas férias era o dia a dia deles. Pensamos: ‘podemos fazer algo além da nossa rotina’. Para nós foi um “click” de possibilidades”, relataram os jovens à reportagem.

A decisão
A partir daquele momento, Rodrigo e Tiago, resolveram se mobilizar, fizeram um planejamento, juntaram dinheiro e no fim de 2017 surgiu a ideia de adquirir uma kombi. “Como sempre saíamos nos fins de semana, achamos interessante investir em um veículo”, comentaram, citando que fizeram uma pesquisa por alguns veículos e optaram por investir em uma kombi que estava à venda em Belo Horizonte. “Convidamos nossos amigos para participar, porém, eles preferiram seguir com suas atividades. Nós respeitamos e continuamos a nos organizar. Já deixamos o aviso prévio que sairíamos da casa no meio do ano para nos dedicarmos a organizar a Kombi. Teríamos que adaptá-la em uma casa”, afirmaram.

Pé na estrada
No ano de 2017 eles se afastaram de seus empregos e colocaram a “mão na máquina”. Isso mesmo. Era preciso reformar e preparar o veículo, a tão sonhada Kombi que, após ser adquirida, recebia um nome: Dercy, em homenagem à artista Dercy Gonçalves.
Em outubro daquele mesmo ano eles terminaram a reforma e já colocaram o “pé na estrada”.

Os jovens e a companhia da ‘Dercy’
Antes mesmo de saírem da cidade onde residiam, Rodrigo e Tiago, na companhia da ‘Dercy’, definiram que economizariam dinheiro para algum tipo de emergência, mas a ideia era fazer da viagem uma prática autossustentável, isso porque o plano era não ter um tempo determinado para voltar. Sendo assim, eles não têm um destino pré-definido. “O plano é não ter plano”, brincam os jovens, relatando ainda, que a vinda para o Sul era no sentido Ushuaia – cidade na Argentina. “Contudo, como demoramos mais em outras cidades, alteramos nosso cronograma”, completaram.
Eles lembraram que os primeiros dias de viagem foram apreciados em Ubatuba, um local que já conheciam e poderia fornecer mais confiança no início desta ‘missão’. Retornaram ao hostel – citado no início da reportagem – reencontraram o casal da Kombi que havíamos conhecido. “Foi muito legal compartilhar essa ideia”, recordaram.

Sistema de troca
A Kombi se tornou uma aliada fundamental na iniciativa dos jovens. Ela foi adaptada com espaço para dormir, cozinha e sala, enfim, um micro espaço especial que compartilha as experiências e memórias da dupla paulista.
Contudo, a cada cidade onde resolviam passar a noite, era preciso buscar um local para tomar banho. Aí surge a ideia: “que tal oferecermos algo em troca? Tivemos um plano inicial de fazer um canal no Youtube. Só que durante o processo percebemos que talvez não era nosso perfil o ato de expôr tudo que é feito durante a viagem. Como já havíamos feito um investimento em máquina fotográfica e um drone, resolvemos investir nessa questão de oferecer imagens das cidades aos estabelecimentos, em um sistema de troca ou venda por serviços prestados”, explicaram, citando que já dormiram em postos de gasolina e foi uma experiência tranquila.
“As pessoas são muito “abertas” a trocas. Simpatizam com as ações. Em Florianópolis conseguimos trocar por meio da música. Temos um amigo que vende chopp na beira da praia. Nós tocamos ao público que estava por ali e, como retribuição, ele nos pagou”, destacaram.

A chegada na ‘Capital da Amizade’
Os meses passaram e em março chegaram a Erechim. Para eles, a cidade é muito organizada, limpa e as pessoas são receptivas. “A praça é bem central, com várias avenidas, ruas que se juntam. Muito interessante”, disseram.

Os desafios
Conforme Rodrigo e Tiago, mesmo que o trajeto esteja sendo repleto de bons momentos, há também de se considerar, que há desafios. “Acho que o principal é a questão do desapego e nem é tanto o aspecto material, pois acreditamos que com menos podemos viver mais felizes, mas é o que diz respeito à família, amigos. A saudade vem, mesmo que as tecnologias nos aproximam”, reforçaram.

As memórias…
“Quando retornarmos uma das coisas mais fortes que permanecerá na memórias são as pessoas, as ‘muitas famílias’ que fizemos no caminho. Acabamos recebendo muito do melhor das pessoas. Acreditamos que as pessoas boas são a maioria nesse mundo. A viagem em si não é a forma de ver isso, mas o que vale é a forma com que encaramos a vivência”, ressaltaram.
De acordo com os jovens, quanto mais “abrirmos a nossa mente, vamos expandir as possibilidades de ver o mundo”.
Tantas histórias, memórias, que ao fim da entrevista foi impossível não dizer a eles: “Isso dá um livro hein?”. A resposta veio direta acompanhada de um riso de satisfação: “Já pensamos nisso…”.
Sobre o retorno, apenas um compromisso impõe uma previsão: “pretendemos voltar para um festival no mês de junho, em Ribeirão Preto”, revelaram.

BOM DIA